O que é Feng Shui?

Feng Shui (風水) é uma palavra chinesa e seus caracteres significam literalmente “vento” e “água”, pois nasceu através da prática de observação desses elementos na natureza para auxiliar os povos antigos a determinar o melhor local e melhor posicionamento de moradias, plantações, túmulos, etc. O local ideal proporcionava proteção dos ventos frios e fortes, e era próximo da água para garantir alimento.

A sua data de origem exata é desconhecida, estima-se que tenha mais de 4.000 anos. Os antigos chineses, a partir de muito tempo de observação, avaliação da paisagem e experimentação, e unindo diversos conhecimentos nas áreas de arquitetura, ciência, astronomia, medicina, filosofia e arte, desenvolveram um conjunto de métodos e práticas denominado Feng Shui. 

Podemos dizer, de forma simples e resumida, que se trata de uma prática que visa identificar, compreender e melhorar o fluxo e a qualidade energética dos ambientes e paisagens, gerando espaços mais benéficos aos seus ocupantes, com mais saúde, bem estar, prosperidade, entre outros. O Feng Shui pode ser comparado com a acupuntura, mas ele atua nos espaços ao invés do corpo humano.

tao vazio

Mas para entender verdadeiramente o Feng Shui é necessário primeiro compreender um pouco da cultura chinesa, e principalmente o pensamento taoísta, uma filosofia baseada na observação da natureza e na crença de que existem Leis Naturais, que regem todos os fenômenos do universo, superior à qualquer ação ou vontade do homem. Essas leis representam o Tao, que é como uma inteligência cósmica, o todo, o universo, a natureza em si, mas que vai muito além da capacidade de compreensão da mente humana. O objetivo do taoísmo não é desvendar essas leis através de conceitos, mas sim aceita-las visando a integração do homem com a natureza, afinal somos parte dela. Acredita-se que quando conseguimos atingir essa integração perfeita alcançamos a realização, caso contrário, sofremos.

Além dessas leis naturais, existe uma espécie de energia vital imperceptível a olho nu que está presente em tudo, compõe todas as coisas, como o vazio, e que possui um fluxo natural que opera de acordo com as leis do Tao. Essa energia é chamada de Qi (“chi”). O Feng Shui nasceu profundamente enraizado no taoísmo, por isso é uma prática que visa compreender o fluxo do Qi e cooperar com ele, canalizá-lo para obter resultados mais benéficos. Faz parte dos 8 ramos da Medicina Tradicional Chinesa, práticas taoístas que atuam em conjunto como uma medicina basicamente preventiva (alimentação, meditação, exercício, massagem, cosmologia e filosofia, medicina das ervas, acupuntura e Feng Shui). Assim, o Feng Shui por si só não representa a total solução dos problemas, é apenas parte do caminho.

Podemos encontrar práticas semelhantes ao Feng Shui em vários povos distintos, como o Vastu Shastra na India. Todos eles possuem os mesmos fundamentos, baseados nas energias sutis existentes na natureza. Mas cada povo desenvolveu o seu próprio método pois cada lugar possui suas próprias características fisiológicas e culturais, gerando um produto diferente. Portanto o Feng Shui não é uma invenção criada pelos chineses, ele se baseia em fatos reais, através da observação e experimentação ao longo de muitos anos. A dificuldade de sua compreensão se dá porque ele lida com algo que não podemos ver a olho nu, mas que quando atentos podemos sentir, principalmente na vivencia do dia a dia.

Assim como existem diversas práticas semelhantes ao Feng Shui, devido as diferenças de cada cultura e local, é importante saber adaptá-lo e aplicá-lo ao contexto atual, evitando assim a sua cópia pura e simples. Por isso é essencial para o consultor e estudioso de Feng Shui, conhecer e compreender suas bases e fundamentos, pois se trata de uma prática muito antiga e que se originou em uma sociedade basicamente agrícola, não sendo aplicáveis em certos contextos atuais urbanos.