Feng Shui Tradicional x Chapéu NegroPosted by on


Grande parte das dúvidas que recebo sobre o Feng Shui é porque o que é divulgado em revistas, mídias, etc, vem da Escola do Chapéu Negro, e como eu pratico o Feng Shui Tradicional Chinês, isso muitas vezes fica confuso. O objetivo desse artigo é falar um pouco da diferença dessas duas práticas e esclarecer melhor o que exatamente é o Feng Shui Tradicional Chinês.

Bússola Luo Pan utilizada na análise do Feng Shui Tradicional

Primeiramente, o Feng Shui surgiu na antiga China há mais de 4 mil anos, através da observação das energias sutis presentes na natureza, o Qi (pronuncia-se “chi”), afim de determinar os melhores lugares para os túmulos sagrados dos imperadores. Ao longo dos anos essa prática foi se desenvolvendo e estendendo para as habitações dos vivos. Além disso, surgiram diversas linhas de análise que determinaram métodos diferentes de aplicação dessas práticas. Hoje em dia são popularmente conhecidas como Escolas do Feng Shui. As escolas que eu utilizo na minha consultoria são o Ba Zhai e Estrelas Voadoras, onde a primeira analisa as influencias psicoemocionais da construção sob os moradores e a segunda analisa as probabilidades de ocorrências na vida das pessoas. 

Cada método tem as suas particularidades e trabalha com aspectos diferentes de análise, mas todas essas análises se complementam entre si. Independentemente do método, o Feng Shui fundamentalmente estuda as influências do Qi no espaço através de medições de bússola, juntamente com aspectos cosmológicos em relação ao tempo. Ou seja, o fluxo de energia não é estático e varia ao longo do tempo, assim como a interação com pessoas também pode modificar como o Qi circula em um ambiente.

Bagua utilizado no Chapéu Negro

O que é chamado de Feng Shui do Chapéu Negro, muito popular e bastante difundido principalmente em revistas de decoração, nasceu no ocidente no século XXI, com a vinda de um mestre budista tibetano para os EUA, que resumiu uma série de ensinamentos ritualísticos junto com algumas idéias do Feng Shui Tradicional, e o chamou de Escola do Chapéu Negro. Essa prática não se baseia no taoísmo, mas sim no budismo, e não pode ser chamado de Feng Shui Tradicional, pois ignora a grande maioria dos fundamentos presentes na mesma, como a bússola, que é uma ferramenta essencial para análise.

Basicamente ele utiliza um gráfico estático (chamado Baguá) sob a planta baixa do ambiente para determinar os 8 cantos de influência na vida prática, e utiliza cores e objetos simbólicos específicos nesses cantos para ativar certos aspectos da vida através de estímulos de pensamento. Também utiliza rituais, bênçãos e consagrações para limpar energeticamente ambientes e dar mais ênfase a essas ativações. É uma prática que funciona como uma harmonização de ambientes através da força do pensamento.  

Eu mesma já pratiquei muito dessa linha, e respeito quem a pratica, mas a maior dificuldade que encontrei nela é que ela precisa que a pessoa acredite e reforce continuamente as chamadas curas simbólicas, além de utilizar objetos que muitas vezes não nos identificamos e não gostamos, poluindo visualmente o espaço.

Hoje eu prefiro trabalhar com o Feng Shui Tradicional pois é uma prática mais completa, que analisa a energia da construção, a energia pessoal de cada pessoa e a interação entre os dois. Além disso, como a casa é um reflexo de quem nós somos, porque fomos atraídos para lá por afinidade energética, é possível ver muita coisa do que as pessoas estão enfrentando no momento, funcionando também como uma ferramenta de autoconhecimento.

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Feng Shui Tradicional

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